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Sem pressa para 4º mandato, Lula adia definição de nomes para ministérios

Estratégia para o próximo governo será priorizar a fidelidade dos partidos escolhidos para compor alto escalão do Executivo federal

O critério, portanto, deverá ser mais rigoroso do que no atual mandato, quando partidos que ocupavam ministérios na Esplanada votaram, em diversas ocasiões, contra o governo no Congresso Nacional, sem que houvesse um compromisso de fidelidade firmado com o Executivo. No terceiro mandato, Lula distribuiu pastas a legendas como MDB, PSD e União Brasil, mas enfrentou derrotas em votações importantes no Legislativo.

 

Desta vez, a cobrança por fidelidade deverá ser maior para garantir a governabilidade de Lula, diante de um Congresso dominado pela oposição.

Além de Edinho, outros emissários e até o próprio presidente devem participar das conversas com lideranças do Centrão a partir desta semana.

Centrão apoiou Flávio

No segundo turno das eleições presidenciais, os principais partidos do Centrão declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas urnas. Entre eles estão Republicanos, a federação União Progressista (formada por União Brasil e PP), Podemos e MDB.

Sem apoio formal dos partidos, a estratégia de Lula foi buscar por apoios individuais de lideranças políticas, como do presidente do Senado Federal Davi Alcolumbre (União-AP) e do presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta (Republicanos-PB).


Busca por governabilidade

  • A partir do ano que vem,  Lula terá pela frente um país dividido e um Congresso Nacional com oposição ainda mais fortalecida.
  • O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá as maiores bancadas das duas Casas a partir de fevereiro de 2027. Na Câmara dos Deputados, 121 dos 513 deputados serão do PL, contra 70 do PT. No Senado, o PL terá 29 dos 81 senadores. O PT contará com 10.
  • A relação com o Legislativo já representou um dos principais obstáculos do terceiro mandato de Lula. Em 2023, a medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios quase perdeu a validade e só foi aprovada no último dia do prazo, com mudanças que contrariaram o governo, especialmente nas atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas.
  • As dificuldades se repetiram em outras votações, inclusive com a derrubada de vetos presidenciais. No Senado, uma das maiores derrotas foi a rejeição de Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), em abril deste ano.

Acomodação de aliados

Nos bastidores, as conversas sobre possíveis ocupantes de cargos no governo já começam a ganhar força. Nesse cenário, aparecem nomes de políticos considerados fundamentais para a reeleição de Lula, como o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o deputado federal André Janones (Rede-MG).

No segundo turno, o ex-ministro também teve papel de destaque na coordenação política da campanha de Lula.

Durante a segunda fase do pleito, reforçou a coordenação de comunicação da campanha petista, em um momento em que Lula buscava repaginar a linguagem adotada nas redes sociais.

Os dois nomes são apontados como possíveis sucessores de Lula na disputa presidencial de 2030, uma vez que o petista não poderá concorrer a uma nova reeleição.

Aliados sem mandato

A composição do novo governo também terá de acomodar aliados próximos de Lula, incluindo políticos da esquerda e da centro-esquerda que não conseguiram se eleger neste ano.


Nomes a serem acomodados

  • O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP), que disputou o governo de São Paulo a pedido de Lula, mas foi superado no primeiro turno por Tarcísio de Freitas (Republicanos);
  • As candidatas de Lula ao Senado por São Paulo, que também não conquistaram vagas, devem ser aproveitadas na nova gestão: a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-SP) e a ex-ministra do Planejamento e Orçamento Simone Tebet (PSB-SP);
  • Os candidatos que não venceram as disputas pelos governos estaduais João Campos (PSB), em Pernambuco, e Eduardo Paes (PSD-RJ), no Rio de Janeiro;
  • A ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência Gleisi Hoffmann (PT-RS), que concorreu ao Senado pelo Paraná;
  • O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), aliado de primeira hora e líder do governo no Congresso, não conseguiu se reeleger pelo Amapá. É nome que também precisará de espaço;
  • O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que disputou o Senado e não venceu. Ele ocupou a Secretaria de Comunicação e foi secretário extraordinário para reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024;
  • O senador Renan Calheiros (MDB) e seu filho, Renan Filho (MDB), também senador e ex-ministro dos Transportes. Os dois não conseguiram se eleger em Alagoas: o pai disputou uma vaga no Senado, enquanto o filho concorreu ao governo estadual.

Além dos aliados que saíram derrotados das urnas, Lula precisará encontrar espaço para figuras próximas que decidiram não disputar as eleições para se dedicar à campanha.

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